Pesquisadores resgatam cultura e passado de histórias no

Lembrada em sambas do Carnaval carioca e eternizada em canções de compositores diversos como Aldir Blanc, Dicró, Arnaldo Antunes e Caetano Veloso, a Baía de Guanabara foi palco de batalhas navais e conquistas, de tendências culturais e até do primeiro filme genuinamente brasileiro quando o cinema estava sendo trazido para o país.

Reconstruir tantas histórias ligadas à História foi a tarefa dos autores do livro “As águas encantadas da Baía de Guanabara”, lançado este ano pela Numa Editora. Assim, o professor de geografia da Universidade Federal Fluminense (UFF) Jorge Barbosa, o pesquisador e escritor Diogo Cunha e a cientista social e pesquisadora da memória da cidade Ana Thereza de Andrade Barbosa buscaram compor a memória de um outro litoral.

Nesse litoral, vêm à tona o centro original da cidade do Rio de Janeiro, que passava pela atual região portuária, pela vasta Enseada de Inhaúma, de onde emergiu o bairro Leopoldina, até chegar ao desconhecido Recôncavo da Guanabara, que adentra pelo que conhecemos hoje como Baixada Fluminense.

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Na entrevista a seguir, os autores salientam a importância daquele litoral, que teve a praia de Ramos, na zona Norte, como a Copacabana do Subúrbio, e lamentam pela decadência desse território, muitas vezes em função de políticas públicas equivocadas. Mas o livro tem também a tarefa de intervir no debate público para resgatar a Guanabara.

A Baia de Guanabara sempre terá um papel de destaque para os municípios do seu entorno: como paisagem admirada pela beleza, como sistema ecológico para vida da natureza e da sociedade, como território de invenção de saberes e fazeres culturais, e sobretudo, como abrigo de convivências sociais plurais. Esta é a utopia que dá o horizonte de sentido do nosso livro”, afirma Jorge Barbosa.

Confira a entrevista com os três autores do livro:

Brasil de Fato: A que se propuseram os três pesquisadores que resolveram investigar o passado e também o presente da Baía de Guanabara?

Jorge Barbosa: A Baía de Guanabara sempre foi um tema de estudos dos mais provocantes e mobilizador das mais diferentes elaborações narrativas. Das ciências ambientais às ciências sociais. Em obras literárias e matérias jornalísticas, assim como audiovisual. O repertório sobre esse patrimônio comum chamado de Guanabara (Seio do Mar em tupi-guarani, originalmente) é amplo, apesar de disperso.

Então, o nosso livro é parte desse esforço maior e plural de autorias, porém com uma intenção explícita: abordar a vasta extensão de um litoral carioca, suburbano e popular, afogado pela urbanização brutal e discricionária.

Falamos, ou melhor escrevemos, sobre a Guanabara que saiu dos cartões postais e que vem sendo apagada da memória das novas gerações de cariocas, porém que ainda fez parte da cidade com sua imensa importância social, cultural e econômica até, pelo menos, a década de 1970.

Navegamos em outro litoral!


Livro mergulha nas histórias e traz as memórias no entorno da Baía de Guanabara / Divulgação

Ana Thereza Andrade Barbosa: Trazemos com letras, fotografias e mapas um conjunto de praias desaparecidas e ilhas embaralhadas pelos aterros que mudaram radicalmente a fisionomia do litoral localizado do centro da cidade até o que se denominou de zona norte, ou melhor os bairros marítimos da Leopoldina.

Diogo Cunha: Nosso compromisso era trazer a história e geografia do litoral em pagamento para celebrar os encantamentos de suas águas, de seus habitantes em suas práticas de morada, trabalho e festa, restituir diferentes modos de vida e, evidentemente, apresentar uma crítica aprofundada para fazer outro futuro da cidade no presente. 

Nesse sentido, a nossa escrita não obedece a uma ordem cronológica.

Procuramos fazer um ato de rememoração que entrelaça e fricciona passado, presente, futuro. Vale então citar o oriki yoruba que inspira o prefácio do livro pelo querido amigo Luiz Antônio Simas: Exu acertou o pássaro ontem com a pedra que lança hoje. Explica-se, acreditamos, o título do livro: As águas encantadas da baía de Guanabara. 

E o que vocês encontraram dessa história? O que vocês destacam como surpresas no percurso dessa pesquisa?

Jorge Barbosa: Foram muitas surpresas! Os diferentes usos da orla carioca e suburbana como espaço social de moradia e trabalho de grupos populares esteve presente em nossa pesquisa. A capacidade de se reinventar permanentemente para viver na cidade marca essa ocupação dos subúrbios e surpreendia a cada documento e relato revistado na pesquisa.

Contudo, os saberes e os fazeres culturais demostraram uma surpreendente criatividade e diversidade, demonstrando que a orla da Guanabara, sobretudo suas praias, eram territórios de celebração de convivências  plurais. Chamamos atenção para duas grandes manifestações culturais da cidade. A Festa da Penha e os Banhos de Mar a Fantasia.

Diogo Cunha: Boa parte do século XIX, botes catraieiros saíam do Cais do Valongo, do Porto do Irajá, do Porto de Maria Angu, entupidos de romeiros com destino a um pequeno ancoradouro na Penha e à tradicional Festa da Penha, que acontecia na Igreja de Nossa Senhora da Penha. Portanto, antes do trem (a estação da Penha foi inaugurada em 1886), era o ancoradouro na Penha que fazia a festa.

Aos poucos arraia-miúda – com seus sambas, capoeiras, tias baianas, quitutes e tambores – virou a dona da festa. E esse é, ao que parece, o maior “milagre” da santinha: o de converter, ao som dos tambores cariocas, uma festa luso-católica praticante em uma festança negra e popular. O povão tomou a festa nos braços. Aos olhos da santinha a festa transformou-se, depois do Carnaval, no maior evento popular do Rio de Janeiro.

Ana Thereza de Andrade Barbosa: O banho de mar à fantasia também foi um grande destaque no recôncavo suburbano da Guanabara. Essa festa era uma das atividades pré-carnavalescas e pós-carnavalescas também mais empolgantes da orla carioca. Das praias da zona sul, desfilando pelas do centro e as dos bairros portuários, até a orla dos subúrbios da Leopoldina (a Praia de Ramos foi o seu “sambódromo” da época), com direito à presença do Rei Momo para abrir o Carnaval da cidade).

No desfile, a areia da praia era pista dos blocos de carnaval. Os trajes obrigatórios eram fantasias feitas de papel crepom e vestidas por cima de roupas de banho. Ao final do concurso, os componentes caiam no mar, em alegres e divertidos banhos coletivos, em que as fantasias se diluíam em ondas coloridas.

Vocês podem contar um pouco do histórico de importância econômica da Baía de Guanabara para o Rio de Janeiro do Brasil Colônia até os dias de hoje?

Jorge Barbosa: Destacamos no livro que o recôncavo da Guanabara foi ocupado com a expansão de engenhos de cana-de-açúcar e grandes chácaras dedicadas à produção de alimentos. O transporte para a cidade propriamente dita era feito pelos rios Saracuruna, Sarapuí, Iguaçu, Estrela, Meriti, entre outros, que eram navegáveis, e abrigavam ancoradouros e pequenos portos para o translado dos produtos agrícolas.

As embarcações seguiam para os armazéns dos trapiches da cidade e daí seguir para entrar no circuito comercial local e internacional (caso do açúcar). Podemos identificar o mesmo para as freguesias rurais. Os portos de Maria Angu, de Inhaúma, Irajá e da Ponta do Caju, localizados no “Mar de Inhaúma”, também exerciam esse papel importante na circulação de produtos agrícolas.

Havia uma economia agrário-exportadora configurada em uma hinterlândia marítimo-fluvial, da qual a Baia de Guanabara ganhou um papel estratégico da maior relevância. Podemos também lembrar a economia pesqueira das águas da baía. De início com a pesca da baleia com seu apogeu no século XVII, e a pesca artesanal de modo mais duradouro, inclusive sendo esta uma base alimentar dos grupos populares da cidade.



A Praia de Santa Luzia, no centro do Rio e que chegava às margens da igreja de mesmo nome, hoje faz parte da região aterrada da cidade / Divulgação

A Baía tem também uma importância sociocultural para a região metropolitana, correto? Esse papel relevante se perdeu nas últimas décadas? Se sim, por que razão?

Ana Thereza de Andrade Barbosa: A Baía sempre teve uma importância sociocultural para a região metropolitana, com certeza. Para além de suas Festas Populares, como as citadas da Penha e do Banho de Mar a Fantasia, podemos destacar o chamado pequeno carnaval (formado por blocos carnavalescos e turmas de fantasia).

O esporte e o lazer também devem entrar nesse campo sociocultural. Regatas em pequenas e médias embarcações com campeonatos oficiais, com presença de clubes como Vasco da Gama, Olaria e São Cristóvão. Sem falar nos piqueniques e pescaria recreativas. Atividade praticadas inclusive pelas classes médias locais dos bairros da Leopoldina e da Ilha do Governador, só para exemplificar. Acrescentamos as celebrações religiosas como as de Iemanjá e de São Pedro.

Essa perda de importância local e regional de muitas atividades socioculturais está relacionada diretamente às mudanças que provocaram a degradação das condições geoecológicas da baía, sobretudo dos ambientes onde essas práticas se realizavam.

A relação entre a cultura e a natureza é evidente, embora muitas vezes negligenciada. Esta também é uma das questões abordadas no livro.

O Rio de Janeiro é conhecido em outros estados brasileiros e sobretudo no exterior pela cultura das praias. O que aconteceu com a cultura da praia nesse recôncavo, como vocês chamam no livro?

Diogo Cunha: Acontece que muitas das praias do recôncavo da Guanabara foram afogadas. Há quem pense que a praia é um ambiente extremamente democrático. É bonito pensar assim, mas não é verdadeiro. Hoje pode parecer óbvio que homens e mulheres desfilem seus corpos seminus como São Sebastião nas orlas cariocas. Mas nem sempre foi assim.

Isso só ocorreu depois da “invenção” do verão carioca. O Rio de Janeiro do século XIX não era uma cidade asseada, limpa e saneada. Longe disso. O lixo era lançado no mar pelos escravizados conhecidos como tigres. Mesmo a mais trivial preocupação com a higiene estava mais ligada a questões de cortesia e convivência do que a questões de saúde.

A partir do final do século XIX, as preocupações com o saneamento da cidade começaram a se tornar mais constantes. Até porque médicos, engenheiros, sanitaristas, por exemplo, passaram a dar as cartas na administração pública federal e municipal. Mas uma pergunta continua de pé na areia: Como o Rio passou de uma cidade portuária a uma cidade balneária?

A partir do início do século XX, um novo setor das elites ocupou as praias, já com outros sentidos, ligados diretamente às suas compreensões de saúde física e moral e aos desafios que eram lançados pelo progresso, pela industrialização. Entre as décadas de 1920 e 1930, ir à praia já tinha se tornado uma atividade que poderia durar muitas horas. 

Jorge Barbosa: Mas a cultura das praias do recôncavo não foi enterrada. Um exemplo são as festas de final de ano. No Brasil, os primeiros Réveillons foram realizados na corte de Dom Pedro II, no Rio de Janeiro, mas os hábitos de como passar a virada do ano variam muito de país para país. A “nobreza” do Brasil foi, de fato, a primeira que adotou o costume do Réveillon. Mas o tempo passou e, aqui, novos hábitos foram incorporados ao fuzuê como biritas, comidas e batuques. A praia virou uma das principais avenidas da virada do ano e a roupa branca – a princípio, usada pelos devotos de Iemanjá –, um padrão para passar a festa da passagem de ano.

Porém, de uns tempos para cá, ecoa o silêncio dos tambores nas praias cariocas, tendo em conta o loteamento, a privatização e o aburguesamento das areias, associados ao racismo religioso e ambiental em seu cortejo de violência, intolerância e discriminação.

Se tomarmos o exemplo de baías grandes em outros países, pode-se dizer que no eixo mobilidade urbana a Baía de Guanabara é pouco explorada?

Diogo Cunha: Essa é uma afirmação correta. Mas gostaria de propor o seguinte: é possível considerar a Baía de Guanabara como uma Baía Negra, principalmente pela presença significativa de escravizados, livres e alforriados em seus portos e águas. Estudos recentes dão conta de que se pode também comparar as características fluviais do Recôncavo da Guanabara com o litoral e rios que caracterizavam diversas regiões africanas.

Assim como no recôncavo existia um volumoso comércio fluvial, com ampla circulação de mercadorias, pessoas e informações, em várias partes do litoral africano tal prática não era incomum, permitindo o estabelecimento de paralelos entre os escravos africanos que viviam nas freguesias do recôncavo com sua vida anterior à travessia atlântica. Neste sentido, foi possível identificar a maioria dos marinheiros e barqueiros africanos da Baía de Guanabara, cujas procedências eram de regiões africanas que tinham grandes rios e costume de navegação, como Moçambique e Cabinda.

Parte do Recôncavo Carioca, sobretudo às margens da Baía de Guanabara, já estava sendo ocupado no final do século XVI. Todavia, seria no século seguinte que parte dessa caminhada para o sertão carioca [como era chamada a zona oeste da capital até os anos 1950] aconteceria, através do curso dos rios Meriti, Inhaúma e Irajá. À beira deles, estabeleceram-se pequenos ancoradouros, portos e trapiches que abasteciam engenhos, chácaras e fazendas. Nossa pesquisa indica também que esses portos eram privados, porque as terras haviam sido doadas como sesmarias.

Como escreveu o professor José de Souza Martins na obra O Cativeiro da Terra: “num regime de terras livres, o trabalho tinha que ser cativo; num regime de trabalho livre, a terra tinha que ser cativa”.

Então, a Guanabara, suas águas e seus portos já eram cativos desde o século XVI.

No final do século XVIII, nas freguesias localizadas na direção do recôncavo carioca, pode ser avaliado pela existência de 23 portos. Esse número tão expressivo de portos fez autores, como Fania Fridman, classificarem o Rio de Janeiro e sua hinterlândia como uma Cidade Flutuante. Por isso, não são poucos  os conflitos por cada palmo de água da Guanabara. A Baía de Guanabara sempre foi campo de disputa de mobilidade corpórea, social e territorial!

Muitos artistas, jornalistas e representantes da cultura cantaram, mostraram e homenagearam a Baía de Guanabara. Quem podemos citar e a que podemos atribuir essa rememoração afetiva à baía?

Diogo Cunha: O nosso destaque nesse campo fica por conta do cantor e compositor Dicró e o seu “Domingo de sol”: “Domingo de sol / Adivinha pra onde nós vamos / arrumei um caminhão / Vou com a família na praia de Ramos”. Mas a Praia de Ramos, e seu Piscinão de Ramos (também cantado por Dicró), talvez seja o exemplo mais emblemático dessa encruzilhada de destinos do litoral suburbano da Guanabara.

A importância simbólica da encruzilhada é universal. Liga-se à situação de cruzamento de caminhos que a converte numa espécie de centro do mundo. Pois para quem se encontra numa encruzilhada ela é, nesse momento, o verdadeiro centro do mundo. 

Durante boa parte do século XX, a Praia de Ramos foi uma das principais encruzilhadas do Rio de Janeiro, de cruzamento de caminhos entre a Avenida Brasil e suas águas.

Antes de ser conhecida como Praia de Ramos ou até mesmo como Copacabana do Subúrbio, o que existia era a Praia do Apicú (atual Ramos). A praia começava no Engenho da Pedra (atual Bonsucesso), adentrava a orla de Ramos e parte do bairro de Olaria. Outra praia que era uma coqueluche nos mares de Irajá e Inhaúma era a Praia de Maria Angu. De certa forma, era a continuação da Praia do Apicú, começando em Olaria (onde ficava o Porto de Maria Angu), passando pelo Rio Escorremão (na Penha) até atingir o mangue do Saco do Viegas (na altura do Viaduto Lobo Júnior). Com a abertura da Avenida Brasil, entre 1941 e 1944, o cenário mudou de forma brutal. O verão fervilhante nas praias de Maria Angu e do Apicú foi em sua maior parte aterrado e extinto. E os nomes das duas praias passaram a ser usados como sinônimos. Sinônimo de Praia de Ramos.

Ao fundo da Praia de Ramos, no Bar Bambu, o boa-praça Dicró tinha cadeira cativa. O sambista que cantou para subir em 2012 virou Parque Ambiental da Praia de Ramos Carlos Roberto de Oliveira, popularmente conhecido como Piscinão de Ramos, área concluída em 2001, com mais de 26 mil metros quadrados e com capacidade para 30 milhões de litros de água.

Abria-se a oportunidade para recuperar uma história social, cultural e ambiental de Ramos. A população local e a do conjunto Leopoldina viram com olhos sensíveis o projeto ganhar forma e lugar. Afinal, os investimentos públicos para o lazer foram sempre muito tímidos naquela região da cidade. O Piscinão logo ganhou o gosto da galera. Lotado para o samba, o churrasco, o frango assado com farofa, a cerveja, o pastel, o refrigerante e… a garotada na água. O Piscinão também virou um acontecimento com grupos de pagode e forró que animam com música e dança os finais de semana iluminados de sol.

Há, portanto, uma tradição cultural de convivências plurais que, mesmo com todos as limitações que se fazem presentes, ainda se afirmam como potência das inventividades populares. Fica evidente a importância de investimentos públicos para a cidade como um todo, e com a mesma qualidade para todos, especialmente para espaços marcados por profundas desigualdades sociais e distinções raciais. Por outro lado, em qualquer visita, em qualquer dia, veremos no Piscinão de Ramos uma demonstração inequívoca da Baía Negra que ainda resiste e existe mesmo que as águas estejam desencantadas:

‘O dia está maravilhoso / Eu vou vestir o meu calção / Curtindo esse sol gostoso / Eu vou lá pro Piscinão.”'(Dicró)

Qual é o peso das políticas públicas (ou a falta delas) para termos a Baía de Guanabara poluída e sem a relevância que ela teve em outras épocas?

Ana Thereza de Andrade Barbosa: É preciso que tenhamos política públicas consistentes, duradouras e eficazes para a despoluição da Baía de Guanabara com a maior urgência. Há conhecimentos acumulados em diferentes pesquisas de universidades e instituições dedicadas ao conhecimento que, devidamente reconhecidas, poderão contribuir decisivamente para a mudança do terrível quadro de degradação ambiental da Baía de Guanabara.

Todavia, devemos ter políticas públicas com ampla participação social, sobretudo dos moradores dos espaços mais afetados pela degradação ambiental (em linhas gerais, provocadas pelo despejo de toneladas de esgoto e lixo nas águas dos rios e as da baía). A formulação dessa política precisa ser abrangente desde o controle de fontes poluidoras (empresas públicas  e privadas, notadamente) para segurança ambiental, inclusive com a obrigatoriedade de implantar tecnologias não poluentes, ao saneamento ambiental com tratamento de resíduos, como linha de base para a recuperação da baia.

Para você, a Baía de Guanabara, tão abrangente de diversos municípios importantes, incluindo a capital, pode voltar a ter um papel de destaque em vários aspectos para o carioca e o fluminense?

Jorge Barbosa: A Baia de Guanabara sempre terá um papel de destaque para os municípios do seu entorno: como paisagem admirada pela beleza, como sistema ecológico para vida da natureza e da sociedade, como território de invenção de saberes e fazeres culturais, e sobretudo, como abrigo de convivências sociais plurais. Esta é a utopia que dá o horizonte de sentido do nosso livro.

Fonte: BdF Rio de Janeiro

Edição: Mariana Pitasse

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