Geraldo Alckmin será vice do Lula? Conheça os possíveis

“Eu já tenho 22 vices”. Foi com essa frase que o ex-presidente Lula (PT) iniciou sua resposta, em entrevista coletiva concedida na segunda (15) na sede do Parlamento Europeu, na Bélgica, sobre a possibilidade de Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo, ser candidato a vice em sua chapa para as eleições presidenciais de 2022. 

“Eu não estou discutindo vice ainda porque não discuti a minha candidatura. Quando eu decidir aí eu vou sair a campo para encontrar alguém para ser vice”, disse o petista, que lidera as pesquisas de intenção de voto para o pleito do ano que vem. De acordo com estudos, o favoritismo é tamanho que ele pode até mesmo ganhar a eleição no primeiro turno.

Lula não negou, contudo, que Alckmin pode ser escolhido para ocupar o posto. Na mesma entrevista, elogiou o ex-governador paulista: “Eu tenho uma extraordinária relação de respeito com Alckmin, eu fui presidente quando ele foi governador, nós conversamos muito. Não há nada que aconteceu entre mim e Alckmin que não possa ser reconciliado”. 

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Geraldo Alckmin e Lula durante debate presidencial nas eleições de 2006 / Antonio Scorza/AFP

A aproximação com Alckmin depende da concretização de sua saída do PSDB e filiação ao PSB, partido ao qual foi convidado pelo aliado Márcio França. Alckmin também pode ingressar no PSD, a convite de Gilberto Kassab, ex-prefeito de São Paulo. Neste caso, o apoio a Lula no primeiro turno é mais complicado, já que a sigla pretende, ao menos publicamente, lançar o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, ao Palácio do Planalto. 

O presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, por sua vez, condiciona o apoio a Lula na disputa presidencial ao apoio do PT a candidatos da sigla em estados que considera importantes, como São Paulo, onde Márcio França reúne forças na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. O petista Fernando Haddad também é pré-candidato ao cargo. 

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“O que eu disse para o PT? O PT tem que escolher o que ele quer. A Presidência da República? Ótimo, e nós podemos até apoiar, não há problema. Agora, nós precisamos ter, conquistar nossos espaços de poder, espaços significativos”, disse Siqueira ao Uol

A possibilidade da chapa Lula-Alckmin foi revelada pela coluna da jornalista Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo, em 3 de novembro. Na última sexta-feira (12), o ex-governador evitou dar detalhes sobre o andamento das negociações, mas passou longe de descartar a união com o antigo adversário. Os dois se enfrentaram no segundo turno da eleição presidencial de 2006. 

“Já disseram que eu vou ser candidato ao Senado, a governador, a vice-presidente. Vamos ouvir. Fico muito honrado da lembrança do meu nome. […] A política precisa ser feita com civilidade. É preciso resgatar a boa política. Tem que ser feita com quem tem apreço com a democracia. […] Mas é claro que [Lula] tem [apreço pela democracia], não só ele. É óbvio”, afirmou Alckmin. 

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A colunista Thaís Oyama, do Uol, publicou reportagem, também na sexta-feira (12), afirmando que a candidatura conjunta da dupla deve ser definida até dezembro. Segundo ela, o martelo será batido após o encerramento das prévias do PSDB e a chegada do ex-presidente petista ao Brasil. 

“Vice de confiança” 

No episódio desta semana do Podcast Três por Quatro, do Brasil de Fato, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu minimizou a possibilidade de Alckmin ser o escolhido. Segundo ele, Lula “está mais para ter um vice leal e de confiança”, fazendo referência à opção por alguém mais próximo politicamente. Ele disse que o PT “não precisa desapegar” da ideia de escolher uma mulher para ocupar o cargo. 

“O Lula não quer decidir isso agora. Ele está mais para ter um vice leal e de confiança. Por que não uma mulher? Por que não uma vice que represente as mulheres brasileiras? As mulheres estão lutando por sobrevivência, direitos e enfrentam o dia-a-dia com tantas dificuldades. (…) Por que não uma mulher jovem e negra? Não precisamos nos desapegar dessa questão”, disse. 

A posição de Zé Dirceu, contudo, não é unânime na direção do partido. O presidente do PT paulista, Luiz Marinho, disse ver com bons olhos a união com Alckmin na chapa presidencial. 

“O momento é de conversas, diálogo, construções de pontes. Para o primeiro e o segundo turnos. Assim é a política. Sabemos identificar quem são nossos adversários para a retomada do Brasil da esperança”, disse o petista, que é ex-prefeito de São Bernardo do Campo, ao jornal Diário do Grande ABC

“Todos os vices do Lula” 



Mais de dez nomes já foram ventilados como possíveis candidatos a vice na chapa de Lula em 2022 / Fotos: Divulgação | Arte: Brasil de Fato

O Brasil de Fato levantou os principais nomes já cogitados para disputar uma vaga como vice-presidente de Lula nas eleições de 2022. Entre eles, estão integrantes do centrão, líderes de partidos de centro-esquerda e até empresários, como Luiza Trajano, dona da Magazine Luiza, e Josué Gomes, eleito presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e filho de José Alencar, ex-vice de Lula (2003-2010). 

Leia a lista: 

Fernando Haddad (PT) 



Haddad e Lula têm relação de extrema confiança desde os tempos da Esplanada dos Ministérios, quando o ex-prefeito chefiou a Educação / Ricardo Stuckert

O ex-prefeito de São Paulo, atualmente pré-candidato ao governo do estado, é uma das figuras políticas que mais demonstrou lealdade ao ex-presidente, mesmo quando incentivado a se afastar. Tem boa relação com economistas do campo liberal, especialmente Marcos Lisboa, secretário de Política Econômica no primeiro mandato de Lula e atual diretor-presidente do Insper, (Instituto de Ensino e Pesquisa). É a principal alternativa caso o PT não consiga concretizar as alianças com PSB, PSD e PCdoB e opte por uma chapa “puro sangue”.

Em entrevista concedida ao programa Conversa com Bial, em agosto, contudo, Haddad disse acreditar na possibilidade de “uma chapa ampla, já no primeiro turno”. Segundo ele, estão sendo feitas muitas conversas com partidos “do campo progressista e também do chamado centro, não ‘centrão'”. “Eu imagino que nós possamos ter a felicidade de ter uma chapa ampla, já no primeiro turno, uma unidade democrática contra o que me parece o mal maior, que é a permanência desse projeto que tanto ameaça os brasileiros”, opinou.

Marina Silva (Rede) 



Lula beija as mãos de Marina, então ministra do Meio Ambiente do governo do petista / Evaristo Sá/AFP

A ex-ministra do Meio Ambiente se reaproximou do partido nas eleições de 2018, quando declarou apoio a Fernando Haddad no segundo turno, e representa um avanço em termos de representatividade. A escolha ainda apontaria uma valorização da candidatura à questão ambiental, tema central no ambiente diplomático do século XXI. 

Em agosto, em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, ela disse ver empecilhos na construção de uma candidatura que não seja de Lula ou Bolsonaro. “Esse projeto já deveria estar posto há muito tempo. Infelizmente, os atores que têm capacidade de fazer isso preferem, digamos assim, a velha estratégia da polarização. Acho que uma alternativa à polarização precisa ocupar esse lugar de reconexão com a sociedade pela sua proposta”.

Rodrigo Pacheco (PSD) 



O atual presidente do Senado trocou o DEM pelo PSD e foi lançado ao Palácio do Planalto / Agência Senado

O presidente do Senado é pré-candidato à Presidência pelo PSD e, publicamente, descarta ser vice de Lula. O movimento, contudo, é visto como “jogo de cena” para aumentar o peso político da sigla. Tem boa relação com integrantes do Grupo Prerrogativas, que reúne advogados contrários aos abusos da operação Lava Jato, e é respeitado no Congresso. 

Nesta segunda (15), em entrevista ao Sputnik Brasil, durante visita a Portugal, novamente refutou a possibilidade de ser vice, mas fez questão de ressaltar a boa relação com o PT.

“Nunca conversei com o presidente Lula. Nunca estive com ele, não o conheço pessoalmente. Tenho muito boa relação com o Partido dos Trabalhadores (PT), o que inclusive me rendeu apoio à presidência do Senado. Tive apoio do PT e de partidos de oposição, como tive também apoio de partidos de base de governo. Então, mantenho muito boa relação com os partidos. Mas nunca tratei essa hipótese nem com o presidente Lula nem com ninguém. Até porque, isso que acabei de dizer, de que o momento oportuno de se discutir 2022 será em 2022. Vai chegar a hora de se discutir, mas não é uma hipótese que eu considero.”

Flávio Dino (PSB) 



Lula e Dino durante encontro recente em São Luís do Maranhão / Ricardo Stuckert

O governador do Maranhão tem feito diversos gestos de apoio a Lula, demonstrando interesse em estar ao lado do ex-presidente na chapa presidencial. Nas eleições municipais de 2020, ainda filiado ao PC do B, foi votar com uma camiseta “Lula Livre”. Em entrevista à TVT, em abril deste ano, afirmou que “seria uma honra”, ser vice de Lula, “se fosse convidado”. Em maio deste ano, acertou sua filiação ao PSB em acordo que teve a digital de Lula, que gostaria de ver o partido mais próximo. Como cumpre segundo mandato, não pode disputar novamente o governo de seu estado.

Luiza Trajano (sem partido) 



Ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em evento ao lado de Luiza Trajano, com quem mantinha boas relações / Divulgação/PR

A dona do Magazine Luiza tem reiterado que não deve se lançar ao pleito presidencial em 2022, tampouco entrar na política. Mesmo assim, é apontada por integrantes do PT como a “vice ideal”. Liderou campanhas em prol da vacinação, organiza grupos de mulheres empresárias e tem boa relação com Dilma e Lula. Quando eleita pela revista americana Time uma das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2021, teve seu texto de apresentação escrito pelo ex-presidente. A percepção da pretensão eleitoral de sua família foi acentuada pela compra de 25% do site de notícias políticas Poder360 por seu filho, Frederico Trajano, em maio deste ano.

Paulo Câmara (PSB) 



Paulo Câmara e Lula em encontro durante viagem do ex-presidente ao Nordeste / Reprodução/Twitter

O governador de Pernambuco, que também está no segundo mandato no posto, é um dos nomes mais fortes do PSB e pode ser indicado pela sigla a ocupar o posto. Ex-secretário de Eduardo Campos, Câmara foi publicamente contrário à prisão de Lula e apontou abusos da Operação Lava Jato. Em abril, a revista Veja e veículos pernambucanos revelaram que ele nutre intenso desejo de ser vice do petista. Nos últimos meses, os dois já fizeram duas reuniões, uma em Recife, outra em Brasília.

Henrique Meirelles (PSD) 



Lula e Meirelles em encontro do G20, em 2008; economista presidiu Banco Central na gestão petista / Maurício Lima/AFP

O ex-ministro da Fazenda ainda mantém boa relação com Lula, apesar de ter integrado o governo de Michel Temer (MDB) e estar na equipe de João Doria (PSDB) no governo de São Paulo. Recém-filiado ao PSD, é pré-candidato a uma vaga no Senado por Goiás. Questionado sobre a possibilidade de ser vice, em agosto, em entrevista à Bloomberg Linea, disse que só não atende quando alguém “chama o Meirelles” se “não tiver condições mínimas para fazer um bom trabalho”. Caso Gilberto Kassab acerte o apoio do PSD a Lula no primeiro turno, poderá ser indicado pelo partido.

Simone Tebet (MDB) 



Apesar de ter votado pelo impeachment de Dilma, Simone Tebet mantinha boa relação com a petista / Reprodução

A senadora ganhou destaque por suas participações na CPI da Covid no Senado e lançou pré-candidatura à Presidência para disputar a chamada “terceira via”. Nas últimas pesquisa eleitorais, contudo, ela não decolou. Neste ano, Tebet se reaproximou do senador Renan Calheiros (MDB-AL), entusiasta do apoio do MDB a Lula ainda no primeiro turno. É a única mulher publicamente no pleito por uma vaga no Palácio do Planalto.

Omar Aziz (PSD) 



Aziz e Lula em parada técnica em Manaus durante viagem do ex-presidente ao exterior / Divulgação/Governo do Amazonas

O senador, que voltou à cena política pela postura que teve na presidência da CPI, tem boa relação com Lula. Quando era governador do Amazonas, recebeu, por diversas vezes, a visita do ex-presidente, que costumava fazer escala em Manaus para conversar com o então chefe do Executivo. A escolha apontaria uma atenção do governo à região Norte, onde Bolsonaro tem mais apoio, e traria à pauta dois temas delicados para o governo federal: a Amazônia e a gestão do combate à pandemia.

Fabiano Contarato (Rede) 



Lula e Contarato em encontro em Brasília em maio; na ocasião, o ex-presidente convidou o senador a entrar no PT / Ricardo Stuckert

O senador, cotado para disputar o governo do Espírito Santo, recebeu a visita de Lula em seu gabinete em maio deste ano e foi convidado a entrar no PT. Contarato ganhou destaque no debate público a partir da pauta do “combate à corrupção”, tema que será explorado pelos adversários políticos do PT. Homossexual e delegado de polícia, sinaliza para campos que o PT tem dificuldade de diálogo. 

Josué Gomes (PL) 



Lula e Josué conversam durante visita a fábrica da Coteminas em Montes Claros (MG), em outubro de 2017 / Ricardo Stuckert

O empresário é filho de José Alencar, vice-presidente nos dois mandatos de Lula no Palácio do Planalto. Em julho, foi eleito presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) com 97% dos votos e vai assumir o cargo no início de 2022. Tem relação com líderes do centrão por ser filiado ao PL, partido ao qual seu pai foi filiado. 

Ciro Gomes (PDT) 



Lula e Ciro juntos depois da morte da ex-primeira-dama Marisa Letícia, em São Paulo / Ricardo Stuckert

O ex-ministro tem cada vez mais rompido os pontos de relação que manteve com o PT nas últimas décadas depois de declarações agressivas contra Lula, Dilma e Haddad. Entretanto, como sua candidatura não decola nas pesquisas e diversos líderes de seu partido têm simpatia por Lula, não é de se descartar uma reaproximação patrocinada por figuras como seu aliado Camilo Santana, governador petista do Ceará. Os dois estiveram juntos em inauguração de obra na semana passada.

Edição: Leandro Melito

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